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Muito a propósito de bem estar e de qualidade de vida em idade avançada, vale a pena ver e ouvir Jane Fonda na conferencia TED talk sobre a revolução da longevidade, a que chama Life’s third act e que abordámos já num outro post (veja aqui) Damo-nos conta de que estamos a viver em media cerca de 30 anos mais do que há um século atrás; é como se se tivesse acrescentado mais um ciclo inteiro de vida de adulto na espectativa de vida.
Este terceiro acto de que J.F. fala enquadra-se já na transição de paradigma que estamos a viver porque a idade não tem de ser uma patologia, um declinio; pode ser, isso sim, um terceiro acto com enorme potencial de bem estar e felicidade
Eis aqui o testemunho de que pode ser bem diferente e melhor.
Acabo de completar 90 anos de idade; felizmente a falta de saúde nunca foi problema que ocupasse em permanência o meu espírito… É certo que com o correr dos anos foram aparecendo algumas “mazelas”, mas tanto quanto julgo saber não acarretam nem perigo de morte nem iminente perigo de vida. Reformei-me há vinte e cinco anos e enviuvei dois anos depois, em 1989. Foram dois golpes seguidos que me abalaram fortemente mas não me deitaram abaixo; ainda com “genica” reagi quanto pude e acabei por me adaptar à nova situação de «viúvo-reformado». Com 6 filhos casados, todos com descendência, o número de netos foi crescendo e atingiu este ano ainda, imagino que o limite de 22. Os bisnetos, esses em numero indefinido, por enquanto são 2. Todos, filhos e netos, têm-me dado a ajuda possível, mas como perdi a companheira permanente acabei por me habituar a viver só. Fui feliz no primeiro casamento, com mais de 70 anos não quis arriscar um novo projecto a dois… tanto mais que tinha muita coisa programada na cabeça para fazer após a reforma e um novo casamento podia acarretar impedimento para muitas ou algumas delas. Havia ainda muito que gostaria de fazer e entretanto passaram mais de 20 anos! Eis o que me tem ajudado a viver o meu “bem-estar” porque só assim faz sentido…
1 Viajar com tempo entre amigos. Tive oportunidade de realizar numerosas viagens profissionais por todo o Mundo mas estes anos tenho viajado com um grupo de amigos que todos os anos organiza uma viagem. Fomos a Israel, Jordânia, Itália (várias vezes), Irlanda, Polónia, Brasil, Argentina, Rússia, etc.
2 Actualizei os meus conhecimentos informáticos, comprei o meu primeiro computador portátil (1991) e desde então, claro, já tive vários! Informatizei a minha biblioteca particular que conta hoje mais de 7500 títulos e organizei o arquivo familiar inventariando a documentação com interesse histórico guardada em arcas antigas na casa de família de forma a que possa ser consultada. Levei anos a lê-los documento a documento, alguns de leitura difícil!
3 Resolvi escrever as minhas Memórias o que me ocupou parte da minha vida de “viúvo-reformado”. Foram anos a escrever seiscentas e tal páginas de Memórias mas foi um exercício de “recapitulação” da vida que me deu grande prazer.
4 Andar e fazer ginástica (o desporto da minha idade) e ter um regime alimentar adequado à minha idade. Tenho um divertículo que torna complicada a ingestão e digestão por isso tenho de comer especialmente devagar. Tomo um pequeno-almoço de cereais e fruta, um almoço com sopa, carne ou peixe e vegetais e ao jantar um chá e torradas ou uma sopa.
5 A leitura sempre preencheu bastante o meu tempo por isso tenho um Biblioteca grande! Interessam-me muitos temas desde a História, Economia, Politica, Religião, etc. Este ano de 2012, a falta de visão devido às cataratas tem limitado bastante o gosto que tenho na leitura e impede-me de guiar por conselho do médico. Este mês ainda farei a cirurgia que hoje em dia é relativamente simples e, acredito, permitirá recuperar essa tão importante faculdade.
6 Manter o contacto frequente com amigos tem sido muito importante. Com os colegas do meu curso de Agronomia (1945) por exemplo, continuamos a reunir todos os anos. Como muitos colegas já desapareceram e outros vão ficando pelo caminho, resolvemos passar de um para dois almoços por ano. Mantenho o contacto e combino programas com diversos amigos, aqueles que ficam para a vida, inclusivamente alguns com quem trabalhei durante anos. Mas é igualmente importante o contacto estreito com a família – 6 filhos, noras, genros, 22 netos e 2 bisnetos sem esquecer a família que resta do “meu tempo”, agora representada por alguns primos e ainda pela minha cunhada Maria Margarida, com praticamente 94 anos, que visito quase todas as tardes durante meia a uma hora e com quem converso entre outras coisas acerca do nosso tempo e da gente do nosso tempo…
Este fim de semana festejei e partilhei com alegria o meu nonagésimo aniversário em família e com grandes amigos. Foi um momento especial, a vida é uma benção, merece ser festejada. Sou crente, confio na Providencia Divina, a minha hora de partir só Deus sabe. Tranquilamente até à hora, sempre com Bem Estar!
A.C.L.